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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A insustentável situação do Parque Nacional da Serra da Capivara

Tem alguns acontecimentos no Piauí que já fazem parte da agenda do noticiário do Estado. Alguns com mês marcado para ocorrer, como é o caso da greve dos motoristas do transporte coletivo de Teresina, que ocorre periodicamente no mês de maio – data base da categoria – . Outros apenas com a freqüência anual de sempre. Nesta parte da lista é que está um acontecimento que sempre envergonha o Piauí em nível nacional. Trata-se da crise de manutenção do Parque Nacional da Serra da Capivara.
Até o leitor, telespectador e ou ouvinte menos avisado já sabe que todo ano, por pelo menos duas vezes, a arqueóloga Niede Guidon vai colocar a boca no trombone para relatar a crise , entregar os pontos e fechar o Parque. O motivo é sempre o mesmo: falta de recursos para continuar a gestão do local. E a insustentável situação de um patrimônio cultural e natural da humanidade, localizado no Piauí, se torna notícia nacional, melhor; vergonha nacional.
Tombada pelo desafio de atrair turistas para uma área de difícil acesso, apesar de um aeroporto internacional recém inaugurado, pelas dificuldades de repasses nos recursos do ICM Bio  - situação que não é exclusividade do Parque Nacional da Serra da Capivara – e agora pela impossibilidade jurídica de um convênio que repassou à Fundham (Fundação do Homem Americano), Niéde entrega os pontos mais uma vez  e fecha o parque para a visitação pública. Com o potencial de visita subaproveitado já é difícil manter o funcionamento do local com recursos próprios, imaginem fechado, mas o gesto de Niede é de autopreservação e sinceridade com a equipe que trabalha no local. Como não podem receber salários não devem continuar trabalhando. E de autopreservação porque a vida da arqueóloga se confunde com os sítios e o patrimônio arqueológico que guarda o Parque.E sem pessoal para cuidar os riscos de depredação com a visitação só aumenta.
O mais grave não é a repetição da crise, a repetição da vergonha internacional não só para o Piauí, mas para o próprio país. O mais grave é que entra crise e sai crise e não se tem conhecimento de ações conjuntas e efetivas, de todas as esferas de pode, municipal, estadual e federal para que o Parque se torne autosustentável, vire prioridade, consiga sobreviver. O mais irônico é que esta crise vem à tona exatamente um mês depois de uma equipe da TV pública alemã ter vindo ao Piauí justamente gravar documentário sobre a riqueza mundial que o Piauí abriga. Ou seja; um potencial do Piauí que é divulgado, mas não é efetivamente preservado.(Elizabeth Sá)