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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Quem quer político limpo?

ZOZIMO TAVARES
A DEPUTADA Juliana Falcão faz relato na Assembleia Legislativa sobre a situação da segurança em Parnaíba

Gestores e ex-gestores que caíram na lista dos fichas-sujas estão entrando com uma enxurrada de ações na Justiça com o objetivo de derrubar sua inelegibilidade. Eles se tornaram inelegíveis porque tiveram suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas ou são acusados de desvios de recursos públicos.
Muitos deles conseguirão disputar as eleições deste ano com liminares judiciais em mãos. Entretanto, os que forem barrados no baile não ficarão chorando pelos cantos. Eles lançarão parentes - a mulher, o esposo, um filho, um irmão, etc. - para concorrer em seu lugar. Aliás, muitos candidatos e candidatas já estão em campanha representando o cônjuge ficha-suja.
As pesquisas mostram que o eleitor brasileiro está insatisfeito com seus representantes políticos. Os insatisfeitos não lembram, contudo, que foram eles mesmos que escolheram seus representantes. E por que escolheram tão mal? E por que consagram nas urnas, seguidamente, o modelo político que aí está?
É muito cômodo o eleitor jogar nas mãos da Justiça Eleitoral, a cada pleito, a tarefa de saneamento da representação política, com a impugnação de maus candidatos, a negação da diplomação de eleitos que passaram por cima da lei e a cassação de mandatos comprados ou conseguidos à custa da máquina pública. 
O eleitor não para é para refletir sobre o seu papel na eleição, que é muito mais importante do que o da Justiça Eleitoral. Se quer uma política limpa, uma gestão pública honesta e eficiente e um político do qual tenha orgulho de chamar de seu, por que o eleitor acaba votando em ficha-suja ou nos candidatos indicados por eles? As ruas estão cheias deles, em todas as cidades.
Um bom critério para começar a melhorar a representação política, de agora em diante, passa justamente pela decisão de não votar em ficha-suja nem em quem esteja acompanhado por algum deles. O eleitor que acompanha esse tipo de candidato não tem o direito de reclamar depois da incompetência, da irresponsabilidade ou da desonestidade do seu representante.