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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Depois da bonança, a tempestade

Por:Zózimo Tavares (*)
O Rio de Janeiro se sentiu falido, decretou estado de calamidade pública e foi prontamente socorrido pelo Governo Federal. Agora, governadores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste ameaçam tomar a mesma medida, a partir desta semana, se a União não lhes conceder uma ajuda emergencial de R$ 7 bilhões. Há pouco, Minas Gerais esboçou a mesma intenção e o Rio Grande do Sul segue parcelando pagamentos. 
O governador Wellington Dias esteve na semana passada em Brasília, reunido com os governadores, e retornou para o Piauí fa-zendo coro com os colegas que estão de pires na mão. Para os espe-cialistas em finanças públicas, a situação pré-falimentar dos Estados comprova que eles não apenas demandam ajuda emergencial para sobreviver à recessão: precisam de uma reestruturação urgente e profunda.
O paradoxo, avaliam, é que a crise chega após um longo período de bonança. Nos últimos dez anos, os governos estaduais viveram uma espécie de "boom" das receitas. De 2004 a 2015, a arrecadação cresceu, em média, 41% acima da inflação. Isso significou uma receita extra de R$ 170 bilhões, segundo estudo realizado pela consultoria Macroplan.
Ocorre que, no mesmo período, as despesas avançaram mais: 50% acima da inflação. E o endividamento foi além: após um período sob controle, disparou e fechou 2015 em R$ 653 bilhões. "Os Estados desperdiçaram a década," diz Gustavo Morelli, diretor da Macroplan.
Esse "desperdício" pode ser medido nos indicadores de prestação de serviços públicos do estudo, que mostram como a qualidade avançou pouco em relação aos recursos disponíveis ou, em vários casos, estagnou e até retrocedeu. Na área da saúde apena quatro Estados tiveram melhoras expressivas. Na educação, todos tiveram pequenos avanços, mas 17 regrediram na nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Na segurança, 21 pioraram e quem melhorou foi bem pouco.

Em outras palavras, os Estados surfaram no crescimento econômico, não fizeram os ajustes que deveriam ter feito e gastaram mal, muito mal, o dinheiro que sobrou. Agora a conta chegou. A crise pega em cheio governadores que participaram da gastança nos tempos de bonança, como Wellington Dias.(Com informações do Estadão)