Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Lagoa do Portinho: NOTA DE ESCLARECIMENTO

Por:Fernando Gomes
Surpreendi-me com as declarações sobre a minha pessoa feitas pelos senhores Carlson Pessoa e Walter Frota Fontenele, mas nada me é estranho, se é humano. 
Como técnico da área ambiental há 33 anos digo que o problema da Lagoa do Portinho é a perda da sua qualidade ambiental. Falta gestão! A superficialidade com que estão tentando abordar o problema é também um problema! Reafirmo, a lagoa perdeu a sua qualidade ambiental e não apenas o volume de água.
É necessário ir além do desejo daqueles que querem ver a Lagoa do Portinho cheia novamente. Antes há de se entender as causas do atual quadro de degradação. O descaso para com a Lagoa do Portinho tem promotores: Prefeituras de Parnaíba e de Luis Correia que sempre ficaram alheias à gestão ambiental desse recurso natural; Governo do Estado que sempre promoveu o espaço como ponto turístico sem dotar e cuidar devidamente como tal; e a sociedade em geral que colabora jogando lixo, desmatando, barrando o rio e se omitindo no cuidar de um patrimônio que é de todos. Cada segmento contribui(u) à sua maneira com o quadro caótico hoje existente.
Na reunião com o Diretor Valdemar Rodrigues (MMA), após a qual teriam feito os comentários, me posicionei, mesmo me “intrometendo”, porque creio que a lagoa do Portinho está do jeito que tá por falta de “intrometidos” e de alguns dos seus donos que não cuidaram bem dela. Apresentei como contribuição a proposta de decretação da área como Unidade de Conservação Estadual e a implantação do Comitê Gestor da Microbacia do rio Portinho, como instrumentos de gestão participativa.
O foco da minha abordagem se remete aos seguintes aspectos: as condições ecológicas da lagoa e seu entorno; a situação socioambiental; o uso turístico e a educação ambiental. Sem essa interface entre as dimensões toda e qualquer ação será paliativa.
A recuperação da Lagoa do Portinho passa por um trabalho contínuo de educação socioambiental, contenção das dunas que avançam sobre ela, intervenções de obras civis para requalificação urbana, recuperação da vegetação ciliar, programa de peixamento, desobstrução do leito do rio e do canal que liga ao mar, tudo isso de forma integrada e sistemática.
Para tanto, se faz necessário um agrupamento de pessoas e instituições que se sintam comprometidas com a causa da revitalização da lagoa, ninguém faz nada sozinho! Partir desta consciência é o primeiro passo. A hora exige maturidade, lucidez e o necessário desapego às vaidades pessoais.
Homo sum: nihil humani a me alienum puto, tradução: Sou homem: nada do que é humano me é estranho. A frase é de autoria de Publio Terêncio Afro, dramaturgo e poeta romano (195 a. C.).