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domingo, 30 de outubro de 2016

Papel da Universidade

Por:Arimatéia Azevedo
Faz mais de uma semana que se toca na Universidade Federal uma inócua ocupação da Reitoria em protesto contra a alteração constitucional em curso – e que deve ser aprovada no Senado – para estabelecer um limite das despesas públicas primárias. Pela proposta, a partir do ano que vem, as despesas primárias da União serão corrigidas pelo índice de inflação (IPCA) do exercício anterior – excluídas as rubricas de saúde e educação, que só passam a cumprir a regra em 2018 e ainda ganham aportes adicionais de recursos. É claro que a limitação de gastos gera desconforto e que há uma boa dose de razão na crítica à ausência de um freio no serviço da dívida pública. No entanto, o debate fica num dualismo bobo, segundo a qual a PEC-241 é um ato de um governo que decidiu acabar com a educação e a saúde públicas, como se isso fosse possível. A Universidade, que deveria ser o polo indutor de uma discussão sobre eficiência e qualidade da despesa pública, veste-se do sectarismo tolo e propaga uma dicotomia simplista segundo a qual está-se promovendo um desmonte do Estado, sem se dar conta de que o tamanho do Estado importa pouco quando ele não consegue ser eficiente – o que é bem o caso brasileiro, onde o setor público só enxerga como saída para ser mais eficiente o aumento de seus gastos em investimento e custeio, nunca a produtividade e a boa governança. Neste momento, discutindo tolices ou replicando mantras ideológicos, alunos e estudantes das universidades públicas brasileiras conseguem, no máximo, serem percebidos com um agrupamento de tolos.