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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

VITÓRIA DE PIRRO

Por: Zózimo Tavares
O Piauí foi o único Estado brasileiro onde o PT aumentou o número de prefeitos, comparando-se os resultados da eleição deste ano com os do pleito de 2012. Nos demais Estado, o partido definhou. Em três deles (Roraima, Mato Grosso e Alagoas), o PT zerou o número de prefeitos. Em todo o país, o total de prefeitos eleitos ou reeleitos pela sigla caiu 60 por cento.
Quem se detiver ao exame do mapa eleitoral 2016 no Piauí vai observar que o crescimento do PT nas urnas, passando de 21 prefeitos eleitos ou reeleitos em 2012 para 38 agora, deu-se em cima dos próprios aliados, e não dos adversários. O caso mais emblemático é o de Picos, um dos municípios mais importantes do Estado. Para ganhar a eleição lá, o partido "fez o diabo", segundo o senador Ciro Nogueira.
O presidente nacional do PP abraçou a candidatura do ex-prefeito Gil Paraibano, que votou nele e em Wellington Dias nas eleições de 2014. Gil liderava com folga a disputa até um mês antes da eleição, quando o Governo do Estado fez uma intervenção no município, levando obras de última hora para diversos setores. Só em asfalto foram mais de 60 quilômetros.
O governador não participou da campanha em Picos, mas o governo esteve lá com toda a sua força e na reta final sufocou a candidatura do PP, em favor do prefeito, padre Valmir. O petista acabou ganhando a eleição por uma diferença apertada. O resultado deixou feridas abertas nos aliados de Picos e também na direção estadual do PP.
A deputada federal Iracema Portella denunciou o uso e abuso da máquina do Estado na eleição de Picos. O senador Ciro Nogueira disse que a interferência do governo mudou o resultado da eleição e feriu um dos mais aguerridos aliados do governador, Gil Paraibano, que já era uma liderança forte no município quando o padre Valmir ainda não tinha expressão eleitoral.
Em municípios nos quais o governo deveria ser mais presente, para derrotar a oposição, ele não foi. É o caso de Parnaíba. O crescimento repentino da candidatura do ex-senador Mão Santa foi detectado pelas pesquisas de intenção de voto nas últimas semanas da campanha, mas o governo não fez força para barrar esse crescimento. 
Outro caso emblemático é o de Esperantina. O governo jogou toda a sua força na reeleição da prefeita Vilma Amorim, que disputava com o ex-deputado federal Marlos Sampaio (PMDB), irmão do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho. Os exemplos se multiplicam por outros municípios.