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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

GOVERNO SEM OPOSIÇÃO

Por: Arimatéia Azevedo
Não é a primeira vez, tampouco a última: o Piauí vive o cenário de ter governo sem oposição. Isso já ocorreu em vários outros momentos. O último foi exatamente no governo de Wilson Martins, quando o “socialista” tinha dos 30 deputados eleitos pelo povo 27 aliados incondicionais. No início, os três tucanos com assento na Assembleia ainda esbravejaram, mas a voz foi afinando até desaparecer pela metade do governo. E afinou de vez às vésperas da eleição de 2014, quando PSB e PSDB estavam no mesmo palanque. Agora Wellington Dias vê o fenômeno se repetir com mais força. Se formos olhar o embate das eleições de 2014, partidos como PMDB, PSB, PSD e PDT seriam oposição. Foi lá onde o povo os colocou. Mas o que se vê é bem diferente. O PMDB é todo governista, o PSD se enfronha com gosto no emaranhado da burocracia estatal e o PSB pede – “pelo amor de Deus!” – uma boquinha oficial. No caso do PDT, um pedaço – ligado ao deputado Flávio Nogueira – é todo governo. Sobra uma única voz contrária: a do deputado Robert Rios. A situação chega a ser constrangedora, porque não se trata de um movimento de Wellington buscando governabilidade; são os “oposicionistas pela vontade do povo” buscando ser governo por obra e graça do fisiologismo. Ora, a Democracia se faz precisamente nas diferenças e nos embates de ideias. Não, entretanto, no caso do Piauí, onde os parlamentares fazem qualquer negócio para não ser oposição. Isso ficou claro na votação da matéria que criou a Fundação Previdenciária: dos 27 presentes, 26 votaram a favor sem qualquer discussão. O único que votou contra foi exatamente Robert Rios. Depois não reclamem quando, no futuro, o tonitruante parlamentar for chamado a disputar coisa mais cobiçada que uma vaga na Assembleia.