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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A vaidade seria o maior e o pior dos sete pecados capitais

Eduardo Aquino
O Tempo
Há quem discorde. Sempre haverá, pois somos, por natureza, controversos e adoramos a discórdia. Somos apaixonados por nossas diferenças e, não à toa, desde sempre, a civilização está em guerra, grande parte passa fome, e tendemos à angústia. Portanto, respeitarei os que disserem que a luxúria, a gula, a inveja, a ira, a avareza e a preguiça são ainda mais graves.
Mas vivemos sob o império da vaidade (ou soberba)! A aparência é tudo, e, em nome dela, haja selfies, photoshops, cirurgias plásticas impensáveis, precoces.
NA VIDA E NA WEB – Botox, silicone, implante, corpos esculpido em viciados de academia, movidos a complementos, “bombas”, testosterona e salada de proteínas. De outro lado, youtubers famosérrimas ensinam desde como combinar esmalte e cabelo e manter o corpinho até despistar as inevitáveis estrias, rugas e celulites.
Mas a vaidade maligna a que me refiro está aqui, bem perto, escondida no porão de nossas próprias mentes. Mascaradas na falsa humildade, na bondade para sermos aceitos e queridos, na incapacidade de dizermos “não”! Aquela que nos impede de aceitarmos que erramos. É uma vaidade que faz com que nós odiemos o sucesso alheio, ainda que esse “alheio” seja um irmão, um amigo, um colega de trabalho.
ADVOGADO DO DIABO – Se quiserem gastar duas horas assistindo a um filme clássico que melhor representa esse pecado capital, não deixe de ver o clássico “O advogado do Diabo”. E mais, se esse filme te lembrar uma série de gente que vende a alma para o “coisa ruim”, saiba que é isso mesmo.
E, se algum membro da mais alta Corte de nosso país ou até ex-presidentes vierem imediatamente à sua mente, não se culpe: é inevitável. O poder é a porta larga que conduz à perdição. Pode ser militar, sociólogo, operário. Serão seduzidos, prostituídos, amaldiçoados.
Ingênuos? Não justifica, pois isso é característica de criança e defeito em adulto. Deslumbrados? Ora, esse é o sabor da maçã desde a imagem de Eva.
TODO DIA – A vaidade nos bate à porta todo dia. Em doses corretas, é bem-vinda para a auto-estima, para termos cuidados com a saúde física, a aparência e o sentir-se bem. Mas, passou da conta, é um pecado que assombrará a existência.
Envelheço a cada ano. Minhas rugas, meus cabelos brancos, a forma perdida me fazem lembrar cada caminho trilhado e a luta constante contra esse pecado original. Sinto-me cada vez mais leve, menos preocupado com o julgamento alheio. Sou falho, incompleto, imperfeito, afinal, morrerei aprendiz dessa inesgotável matéria chamada vida!