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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Absurdo no esporte local: Vice-campeã mundial foi representar o Piauí com R$ 70,00 emprestado

A vice-campeã mundial de capoeira muzenza, a piauiense Maria Clara de Melo Ferreira, 20 anos, saiu da capital do Piauí com R$ 70,00 para almoçar, jantar e tomar café durante três dias, em Fortaleza. “Saí chorando, sem patrocínio, passei fome, mas estou aqui, voltei vitoriosa como a segunda melhor jogadora de capoeira do mundo”.
A revelação da atleta foi feita com exclusividade para a reportagem do Portal AZ, na manhã desta segunda-feira (28/08). Clara é uma menina de família humilde, moradora da Vila Maria, zona leste de Teresina. Treina há 10 anos. Nas horas vagas é professora voluntária de capoeira (capoterapia) no Colégio Paulo Nunes, no bairro onde mora. Os alunos dela são crianças de 3 a 11 anos, em risco social.
Para competir no mundial em Fortaleza, ela procurou um deputado, na Assembléia Legislativa do Piauí, mas ele disse que não tinha dinheiro. Clara não se abateu, pediu R$ 100,00 emprestado a irmã, mas ela só tinha R$ 70,00. “Saí chorando. A passagem estava paga pela organização do evento. Mas como eu iria comer esses três dias em Fortaleza? Cheguei a me perguntar o que eu estava fazendo, mas fui e estou de volta, graças a Deus, com a vitória”, disse, emocionada.
Clara sonha em estudar Educação Física, mas como o dinheiro dos pais é pouco, ela faz curso técnico de enfermagem para depois ter como pagar a faculdade de educação física. “Meu pai é eletricista aposentado, a minha mãe cozinheira aposentada. Então, sobra muito pouco, mas quero um dia poder elevar o nome do Piauí”.
A piauiense começou a lutar se espelhando na jogadora de capoeira Rozinha, de Coelho Neto, Maranhão. “Lá no Maranhão, ela é campeã. Já desafiei ela, agora sou vice-campeã mundial, mas sou super fã da Rozinha”, disse.
Maria Clara já foi campeã dez vezes no Piauí. Ela mostra cada medalha com muito orgulho e emoção.
E Clara finaliza a entrevista exclusiva ao Portal AZ: “Agora vou trabalhar para pagar os R$ 70,00 que minha irmã me emprestou”. (Walcyr Vieira)