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sábado, 9 de setembro de 2017

Delator cita Temer em esquema de propina, diz revista

Folha de S.Paulo
O empresário Lúcio Bolonha Funaro afirmou ter ouvido do ex-deputado federal Eduardo Cunha que o presidente da República, Michel Temer, participava de um esquema de arrecadação de propina dentro do PMDB, segundo reportagem publicada na sexta (8) pela revista "Veja".

A publicação relata que teve acesso ao roteiro detalhado com os temas da delação premiada que Funaro fechou com o Ministério Público.
De acordo com a revista, o delator afirmou que nunca conversou sobre valores diretamente com Temer, uma vez que essa tarefa cabia a Cunha, mas garantiu que o presidente "sempre soube" dos esquemas ilícitos comandados pelo ex-deputado.
Funaro disse que "Cunha narrava as tratativas e as divisões [de propina] com Temer" e o presidente foi beneficiário de pelos menos dois repasses da "conta-propina" gerenciada por Cunha, um de R$ 7 milhões da empresa JBS, repartido com outros agentes públicos, e outro de R$ 1,5 milhão do grupo Bertin, informa a reportagem.
A delação ainda traz o relato de que Joesley Batista, sócio do grupo JBS, procurou Temer e outros membros do PMDB e avisou-os de que estava "cuidando do Lúcio e que a situação estava sob controle, requisitando favores e boa vontade em troca disso", de acordo com a publicação.
Esse trecho da delação teria ligação com um acordo pelo qual Funaro receberia R$ 100 milhões de Batista para não revelar crimes.
Em nota, a assessoria de Temer afirma que "o que se tem visto e comprovado é que, na tentativa de celebrar acordo com autoridades para reduzir penas dos ilícitos que cometeram, os delatores dizem o que bem entendem. Neste caso, o delator citado [Funaro] registra que não teve contato com o presidente. Os seus relatos são de 'ouvi dizer'".
O defensor de Cunha, Délio Lins e Silva Júnior, nega as acusações de Funaro. O advogado da família Bertin, Roberto Podval, diz desconhecer repasses ilegais do grupo para Temer ou Cunha.
Nota enviada pela assessoria da J&F Investimentos aponta que os colaboradores da JBS não mentiram em depoimentos à Procuradoria e não é possível fornecer detalhes porque a documentação está sob sigilo.
MULTA
Segundo a Folha apurou, no acordo de delação premiada assinado com a Procuradoria-Geral da República e homologado na semana passada pelo Supremo, Funaro se comprometeu a pagar uma multa de R$ 45 milhões.
Segundo envolvidos nas tratativas, o valor será dividido em dez vezes.
Funaro também acertou que permanecerá preso até janeiro de 2017. A pena acordada foi a de dois anos em regime fechado e com progressão para prisão domiciliar, onde passará mais seis meses. Preso em julho do ano passado, Funaro já cumpriu um ano e dois meses.
Se fosse cumprir os dois anos, Funaro só sairia em julho de 2018, mas como serão descontados desse período o tempo que ele ganha com leitura de livros e inscrição em cursos, conseguiu antecipar a saída em pelo menos seis meses, de acordo com pessoas ligadas à negociação.