Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 22 de outubro de 2017

Wellington em mais uma jogada de craque

Wellington Dias: em cena para aprovação de pacote fiscal
Por:Zózimo Tavares
Em um novo lance, o governador Wellington Dias reafirma a sua condição de craque, não dentro das quatro linhas, mas no campo da política. Ele mandou projeto de lei para a Assembleia Legislativa aumentando impostos.
Diante da reação dos empresários e do recuo dos deputados para aprovar a matéria, o governador resolveu dramatizar.  Às pressas, disse que o Piauí caminha para o colapso financeiro. Como a situação é dramática em vários Estados, ninguém se arriscou a duvidar que ela possa chegar também ao Piauí.
Para dar ainda mais ênfase à sua jogada, o governador mandou suspender os empenhos e, portanto, os pagamentos aos prestadores de serviço e fornecedores do Estado.  
Com o drama feito pelo por ele, mais uma conversa de pé de ouvido com os seus deputados, no final dessa história o governo vai aprovar sem dificuldade o pacote de aumento de impostos e manter a gastança, até para garantir a reeleição.
Na conta dos aposentados
Ao mesmo tempo, o governo joga na conta da crise o peso da folha dos aposentados e pensionistas. Já nem lembra que, no início de seu mandato, o Tribunal de Contas do Estado lhe deu de mão beijada a condição de tirar os inativos e pensionistas dos cálculos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Nunca antes outro governador conseguiu tal deferência do TCE. A medida, que deu um significativo alívio ao governo, teria sido acertada se adotada para fins de reforma e contenção de gastos, jamais como forma de criar uma brecha para gastar mais.
O resultado é que, mesmo sem os inativos e pensionistas no cálculo da LRF, o Piauí vive hoje a mesma situação do início de 2015, com o limite prudencial estourado.  
Não há milagre para se alcançar o sucesso na administração pública. A receita é velha e conhecida de todos: o equilíbrio dos gastos. E isso só se consegue com responsabilidade fiscal.
Estaca zero
Ora, vive-se a era da escassez. Nela o bom gestor é aquele que otimiza seus recursos e que apresenta resultados, ainda que sua margem para investimento seja pequena. Em resumo, o político precisa entender que se faz boa política à medida que se administra bem.
Assim sendo, criação de secretarias, de órgãos em superposição, cargos de confiança em excesso, contratação excessiva de terceirizados e má priorização de obras e serviços, além de só enxergar capacidade de envidar ao invés de buscar meios para pagar o que já deve, pode até não levar ao fim do fim, mas arrasta os serviços públicos e a população, por algum ou muito tempo, ao começo do fim. E, depois de muito tempo, com muito remédio amargo, à estaca zero, ao início de tudo, o começo do começo.
O Piauí já viu esse filme e, com certeza, não pretende assisti-lo e vivê-lo outra vez.