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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A (in)viabilidade de um segundo aeroporto no litoral do Piauí

                                       Aeroporto João Silva
Por:Messias Ximenes(*)

Recentemente, a imprensa noticiou o interesse do Governo do Estado do Piauí em construir um aeroporto na cidade litorânea de Cajueiro da Praia. Este desejo vem, pelo menos, desde 2015, quando a Secretaria de Estado dos Transportes prometeu construir 5 novos aeroportos utilizando verbas estaduais. A questão a ser discutida, no entanto, é sobre a viabilidade de se erguer um segundo aparelho como este em uma região sem demanda para tal.
Segundo o Consórcio Aero Brasil, que é formado pelas Companhia de Participações em Concessões (do grupo CCR), Flughafen Zürich AG e Munich Airport International Beteiligungs GMBH, “o desenvolvimento do aeroporto deve ser essencialmente orientado pela demanda projetada nos seus diversos componentes (passageiros domésticos, internacionais, operações de aeronaves, cargas etc.).” Portanto, ainda que não houvesse aeroportos no Norte do Piauí, a implantação de um terminal em outra cidade que não Parnaíba, seria inviável, pois sua região de influência é aspecto fundamental para construção ou ampliação de um campo de aviação.
De acordo com o Relatório de Regiões de Influência das Cidades (REGIC), elaborado pelo IBGE, Parnaíba é um centro sub-regional que exerce influência sobre cidades do Maranhão e Piauí, a saber: Araioses (MA), Água Doce do Maranhão (MA), Tutoia (MA), Paulino Neves (MA), Magalhães de Almeida (MA), Milagres do Maranhão (MA), Santa Quitéria do Maranhão (MA), Santana do Maranhão (MA), São Bernardo (MA), Bom Princípio do Piauí (PI), Buriti dos Lopes (PI), Cajueiro da Praia (PI), Caraúbas do Piauí (PI), Caxingó (PI), Cocal (PI), Cocal dos Alves (PI), Ilha Grande (PI), Joaquim Pires (PI), Luís Correia (PI) e Murici dos Portelas (PI).
As alavancas de demanda de passageiros são sub aspectos da região de influência que também devem ser levados em consideração. Tratam-se de locais de geração de interesse entre os visitantes. Neste sentido, Parnaíba possui, além do mar ao norte (assim como Cajueiro da Praia), o Delta do Rio Parnaíba, a oeste, e o centro comercial mais pungente do litoral do estado. Sua infraestrutura viária e o transporte coletivo também são superiores.
Ao que tudo indica, torna-se inviável a instalação de um segundo aeroporto nas imediações de outro em pleno funcionamento – e que é subutilizado. E o próprio Governo do Estado já havia chegado a este entendimento.
Em matéria intitulada “Governo prevê projeção de Cajueiro da Praia como cidade turística”, publicada em 06 de março de 2017 em sua página institucional, o Karnak afirma: “a pista ampla do aeroporto regional de Parnaíba e sua proximidade com pontos turísticos, bem como com suas estradas de acesso, chama a atenção de investidores regionais, como é o caso da rede baiana de hotelaria TXAI, de Itacaré. Com o suporte do aeroporto, empresas poderão ampliar o fluxo de turistas nas cidades litorâneas do Piauí, garantindo leitos para estadia e hospedagem de visitantes.” Curiosamente, meses depois o terminal parnaibano passou a ser pouco interessante para o governo estadual.
A proposta para se criar um novo aeroporto no litoral do Piauí soa muito agradável aos ouvidos do cidadão local - sobretudo os moradores de Cajueiro da Praia. Porém, tal investimento causaria o mesmo efeito positivo no bolso do contribuinte? Os governos devem atentar, responsavelmente, para os estudos de mercado e relatórios econômico-financeiros antes de tal empreitada: comprovar, por exemplo, se há recursos suficientes para os investimentos de capex de desenvolvimento e de capex de manutenção e observar as taxas interna de retorno e taxa interna de retorno modificada, dentre outros parâmetros de análise. Ou, simplesmente, lembrar o quão mal aproveitado é o Aeroporto de São Raimundo Nonato.
Há diversos outros investimentos que o litoral do Piauí precisa antes de empreender em um segundo aeroporto.
(*)Messias Ximenes
Administrador
Especialista em Administração de RH