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domingo, 5 de novembro de 2017

Procura-se um homem

Carlos Heitor Cony - Folha de S.Paulo

Há 2.000 anos, o filósofo grego Diógenes saiu de casa com uma lanterna na mão. O sol brilhava naquela manhã, todos perguntavam a ele a razão de levar uma lanterna e por que fazia isso. Diógenes respondia: "Procuro um homem". Segundo ele, não havia nenhum homem nas ruas e nos lugares públicos. Diz a lenda que não encontrou nenhum, todos eram incompetentes ou corruptos.
Hoje, qualquer Diógenes pode fazer o mesmo e não encontrará nenhum homem, porque todos parecem incompetentes e desonestos. Pode ser um exagero, mas terá razão. Todos aqueles considerados como homens, não seriam encontrados. Os possíveis candidatos não eram dignos da classificação "homem".

Quem hoje fizesse o mesmo, também não encontraria um homem digno de responder ou comentar a pergunta do filósofo. Evidente que existem homens no cenário nacional. Mas todos recusariam a classificação "homem".
Tenho um amigo que já ocupou cargos importantes na administração pública, não aceitaria a condição de homem. Ele temeria as delações premiadas ou não e evitaria o vexame de ser preso ou exilado. Receberia cheques, planilhas e sugestões que antes de chegarem à sua mesa de trabalho teriam passado por subordinados, desde os porteiros até os assessores mais graduados.
Não teria tempo ou condições de examinar as propostas que sugeriam propinas e medidas criminosas. Este amigo não aceitou o convite por não saber o que iria fazer. Era o homem que duvidaria de todos os outros homens capazes de propor ou realizar as sugestões recebidas, com receio de serem considerados como ladrões e serem presos pelos tribunais ou pela Operação Lava Jato.
Nas investigações da polícia ou dos tribunais superiores seria considerado corrupto e ladrão e acabaria no presídio da Papuda.