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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Mutirão de Catarata em Parnaíba vira caso de polícia

O Mutirão de Cirurgias Eletivas, realizado de 15 a 17 deste mês em Parnaíba pela Secretaria Estadual de Saúde, foi tumultuado em decorrência de uma série de erros, atrasos e atropelos. Logo no primeiro dia, duas viaturas da Polícia Militar tiveram que ser acionadas até o Centro de Parto Normal, anexo ao Hospital Estadual Dirceu Arcoverde, para acalmar os ânimos. As cirurgias estavam marcadas para começarem às 9:00, no entanto, o médico, único cirurgião da equipe que ficou incumbido de operar 200 pacientes em três dias, chegou somente às 11:45. "Isso é um absurdo. Anunciam um Mutirão, mas contrataram apenas um médico para atender toda essa gente”, protestava uma idosa.
Por volta das 21:00, depois de terem que esperar o dia inteiro por longas 15 horas debaixo de uma tenda quente e sem almoçar, pacientes que haviam chegado às 6:00, foram informados de que seriam atendidos somente os primeiros 15 pacientes da fila restante e que os demais, cerca de 25, deveriam retornar no dia seguinte à fim de esperarem por uma possível desistência. Foi então que o clima que àquela altura já era tenso, esquentou de vez. Nervosos, parentes dos idosos passaram a exigir explicações acerca daquela situação que muitos passaram a denominar de "ultrajante", “humilhante” e “desumano". Inconformada, a filha de um dos pacientes chegou a ligar para a polícia, mas em resposta, ouviu que a "PM não atendia aquele tipo de ocorrência".
Nesse momento, de acordo com relato da jovem, o médico cirurgião saiu aos berros exigindo silêncio e ameaçando encerrar os procedimentos. Foi então que ele se virou para uma componente da equipe mandando chamar a polícia, que teria chegado em torno de 15 minutos, conforme relatos da população. Antes disto, porém, de acordo com testemunhas, teria ocorrido um desentendimento entre o médico e Neres Júnior, um dos coordenadores do Mutirão. Contrariado com o caos instalado, o cirurgião cobrou de Júnior mais organização relatando que “não tinha estudado por vários anos nos Estados Unidos para passar por aquele tipo de constrangimento e que em toda sua carreira profissional jamais havia sido submetido a tamanha situação”. Finalmente, após muita confusão, o pai da garota foi levado para a  triagem na sexta-feira e hoje (17), foi submetido a cirurgia de catarata. No entanto, diferentemente das cenas ocorridas durante os três dias, na abertura do programa e no encerramento, o secretário estadual de Saúde, Florentino Neto (PT), passeou tranquilamente pelo local, chegando a vestir um jaleco. O fato está estampado na página do político na rede social Facebook.
“Me senti completamente humilhada e depois que eles disseram que iriam atender o meu pai, cheguei até a ficar com medo de propositadamente o prejudicarem porque naquela altura não dava para confiar mais em nada ali. Falei pra eles que agradecia pelo Mutirão e que entendia que humanamente era impossível atender todas aquelas pessoas, pois a equipe era muito pequena, mas queríamos o mínimo de respeito porque temos direito a saúde”, desabafou a jovem.
Pacientes de Luís Correia tiveram prioridade máxima. 

Outra grande reclamação dos pacientes de Parnaíba foi em relação a diferenciação de atendimento entre eles e as pessoas enviadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Luís Correia. Os doentes de catarata de Parnaíba somente foram atendidos depois que o último paciente da cidade vizinha saiu do centro cirúrgico, gerando protestos e rumores a cerca dos arranjos camaradas feitos entre o prefeito de Luís Correia, Kim do Caranguejo e o governador Wellington Dias e o secretário Florentino Neto, ambos do PT e aliados políticos de Kim. 

Já era noite e alguns pacientes ainda aguardavam ser atendidos.