As recentes adesões de lideranças da oposição ao grupo do governador Rafael Fonteles começam a levantar dúvidas sobre o peso político real desses movimentos no interior do estado. Em várias cidades, o anúncio de alinhamento ao Palácio de Karnak não tem sido acompanhado pelo mesmo entusiasmo entre lideranças locais, apoiadores e grupos que tradicionalmente sustentam esses projetos políticos.
Em Altos, o caso do prefeito Maxwell da Marinha passou a chamar atenção. Após aderir ao governo e lançar o irmão como pré-candidato a deputado estadual pelo PCdoB, o cenário político no município continua marcado por divergências internas. Integrantes ligados ao próprio grupo mantêm posições conservadoras, perfil bolsonarista e críticas frequentes ao PT.

A avaliação que circula entre lideranças políticas é que a aproximação institucional ocorreu, mas sem capacidade de arrastar parte expressiva do eleitorado tradicional. O apoio anunciado no campo político não estaria produzindo o mesmo efeito entre as bases que acompanharam o grupo ao longo dos últimos anos. Em Oeiras, situação semelhante também ganhou espaço após a entrada do ex-prefeito Zé Raimundo na base governista. Depois do rompimento com o grupo ligado ao ex-prefeito B. Sá, a mudança de posição política não teria encerrado resistências.
Aliados históricos continuam apontando críticas à administração estadual, principalmente em temas ligados à saúde pública. O movimento reforça uma leitura que começa a ganhar força no cenário político: lideranças mudam de lado com rapidez, mas eleitor não assina acordo político. Em muitos municípios, o apoio formal ao Karnak ainda parece distante de representar apoio automático nas ruas.(Silas Freire)




























